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Poemas / José Miguel Silva PDF Imprimir E-Mail
Iniciación

Entre piedras elegidas
la ventana por abrir.
Alguien lo acompaña

en los recados matutinos:
sal, doce panes, un kilo de manzanas
fósforos, canela.

Al salir de la tienda,
le robaron los pedales de la bicicleta,
la rueda de oraciones.

Madre, quise saber,
¿quién me tuvo en cuenta
cuando eras pequeñita?

 

 

You still haven’t died, you’re still not alone
Ossip Mandelstamm

Aún no has muerto y ya estás a oscuras,
sin felicidades, café de barrio.
Perdiste el derecho a ser infeliz,
al carné de socio, a la compañía
de electricidad. Un lápiz de ceniza
es tu horizonte. Tómalo del piso.

Y así empiezan, ponte de pie,
las horas mayores, de fidelidad
a las resoluciones: dar con acierto
nombres al azar a todas las líneas
de tu mano, únelas a restos
de poca belleza, al día que viene.

Quién sabe regresen, al atardecer,
el bien y la calma, tocan la puerta,
es el amigo vestido de mundo,
trae una bola, lápiz de color
y las zapatillas alegres de lama.

 

Cosecha del 98

Ayer compré en el supermercado
una botella de maduro tinto
de Ribatejo. Si la etiqueta no miente,
estoy frente a un vino de color
granate, cuerpo excelente,
de sabor y aroma muy acentuados,
con alguna evolución y persistencia.

Tal vez no sea el Bien, la Belleza
la Verdad, pero es mejor
que mi vida incorpórea,
caprichosa, sin evolución,
de color avinagrado y sin ningún aroma.

Fuera de eso es garantizado por pruebas
de laboratorio, mientras yo —
¿quién me garantiza qué ?

 

No sé si son los treinta años

No sé qué pasa conmigo:
cada vez me asusta más la soledad.
A los veinte años, a los veinticinco,
figuraba el paraíso como un cuarto vacío,
donde el silencio de un libro resonaba
por la noche dentro. Protegía de los amigos
mis horas, de los hermanos, del timbre
del teléfono. Como un ciego de nacimiento,
estudiaba la oscuridad. Me soñaba
recluido en una isla de peñas, rodeado
de trincheras, distante de placitas,
gestos, invitaciones para cenar.
El lamento era mi hobby favorito.

No sé si son los treinta años, la lluvia,
el sabor de más de un día derribado
en los transportes colectivos,
la maligna caída de las primeras hojas;
no sé qué es, tal vez tu amor
empiece, poco a poco, a civilizarme.
Ahora, si llego a casa y tú no estás,
corro a poner música, abro ventanas,
me agarro al teléfono, como un náufrago,
incapaz de soportar por un segundo
el terror emboscado bajo la cama,
detrás de los estantes, dentro de mí.

Versiones del portugués de Renato Sandoval Bacigalupo

 

__________
Iniciação
Entre pedras escolhidas, / a janela por abrir. / Alguém o acompanha // nos recados da manhã: / sal, doze pães, um quilo de maçãs / fósforos, canela. // Ao sair da mercearia, / roubaram-lhe os pedais da bicicleta, / a roda de orações. // Mãe, quis saber, / quem tomou conta de mim / quando eras pequenina?

You still haven’t died, you’re still not alone
Ossip Mandelstamm

Ainda não morreste e já estás às escuras, / sem boas-festas, café de bairro. / Perdeste o direito a ser infeliz, / ao cartão de sócio, à companhia / da electricidade. Um lápis de cinza / é o teu horizonte. Apanha-o do chão . // Eis que começam, põe-te de pé, / as horas maiores, de fidelidade / às resoluções: dar com acerto / nomes de acaso a todas as linhas / da tua mão, uni-las a restos / de pouca beleza, ao dia que vem. // Quem sabe regressam, pela tardinha, / o bem e a calma, batem à porta, / é o amigo vestido de mundo , / traz uma bola, lápis de cor / e as sapatilhas alegres de lama.

Colheita de 98
Comprei ontem no supermercado / uma garrafa de maduro tinto / do Ribatejo. Se o rótulo não mente, / estou perante um vinho de cor / granada, corpo excelente, / de sabor e aroma muito acentuados, / com alguma evolução e persistência. // Talvez não seja o Bem, a Beleza / a Verdade, mas é melhor / do que a minha vida incorpórea, / caprichosa, sem evolução, / de cor avinagrada e aroma nenhum. // Além disso é garantido por testes / laboratoriais, enquanto eu — / quem me garante o quê?

Não sei se são os trinta anos
Não sei o que se passa comigo: / cada vez me assusta mais a solidão. / Aos vinte anos, aos vinte cinco, / figurava o paraíso como um quarto vazio, / onde o silêncio de um livro ressoava / pela noite dentro. Protegia dos amigos /  minhas horas, dos irmãos, dos apelos / do telefone. Como um cego de nascença, / estudava a escuridão. Sonhava-me / recluso numa ilha de fragais, rodeado / de trincheiras, distante de pracetas, / acenos, convites pra jantar. / O lamento era o meu hobby preferido. // Não sei se são os trinta anos, a chuva, / o sabor de mais um dia derrubado / nos transportes colectivos, / a queda maligna das primeiras folhas; / não sei o que é, talvez o teu amor / comece, pouco a pouco, a civilizar-me. / Agora, se chego a casa e tu não estás, / corro a pôr música, abro janelas, / agarro-me ao telefone, como um náufrago, / incapaz de suportar por um segundo / o terror emboscado debaixo da cama, / atrás das estantes, dentro de mim.



 
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