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Poemas / António Poppe PDF Imprimir E-Mail


*

plante ante nubio
vasos negros
muslo negro de plate
curva de paja
uter cría
saliente en chapuzón
poma nona liba
liquen clítor clama clítor
grieta manada y cú cú bordas
sólo labio
engoma el tamandua
engoma el tatu canasta
porrista de culo en arena serpiente
oprime penetra
glande
gime la baba
baba alivio se uniera

en leguas de órgano de plate
sorbo eres así

de djemi de djemi
de djemi de djemi

*

yo, convidado en carne, 
semen al sol
zanja al corazón,
yakoana succión de ligamen
órgano que llega a la piel

piedad borda
lega súbitamente
océano eres en la vuelta
habit cru língua tribut
moisto asomo sorbo lóbulo
gema y vientre

mar ame lapa
agua coda
fcome! a la fundada sulma

de cabello atrapado en lo alto

 

cielofuegoagua

*

come-coral

una lengua, sin fondo y sin origen
moja el desierto y barre

en el cerro Dios gran dios
cuando muere un desierto todos lloran en
                                                               manguera

no quemarás en la duna
la letra es de Su Desierto,
es de Su Desierto la letra.

*

¿Y la lengua de los Indios Yanomami ?
En la voz de Davi Kopenawa

Fueron las imágenes de los arrendajos ayokora y de los pájaros satiparisi, todos dueños de los cantos, que arrancaron mi lengua.
La atraparon para rehacerla, para volverla sabia y capaz de proferir palabras bellas.
La lavaron, la lijaron y la alisaron, para poder impregnarla con sus melodías.
Los espíritus de las cigarras la cubrieron con plumaje blanco y dibujos de achiote.
Los espíritus del zángano remoremo moxi la lamieron para liberarla poco a poco de sus palabras de fantasma.
Y por fin, los espíritus Cenzontles y Arrendajos pusieron en ella las palabras de sus magníficos cantos, le dieron la vibración de su llamado

arerererererererererer
                                                arererererererer

fue así que los xapiri prepararon mi lengua, leve y afinada, e hicieron de ella una lengua de árbol de cantos —una verdadera lengua del espíritu. La convirtieron en otra.

 

Versiones del portugués de Sergio Ernesto Ríos

__________
*
plante ante núbio / vasos negros / coxa negra de plate / curva de colmo / uter cria / saliente em mergulho / pomo nono libe / líquen clítor clama clítor / fresta manada e bum bum bordas / só lábio / engoma o tamanduá / engoma o tatu canastra / claque de bunda em areia serpe / prima penetra / glânde / plange a baba / baba folga se ajuntara // em léguas de órgão de plate / sorvo és é mó / de djemi de djemi /de djemi de djemi

*
eu, convidado em carne, / sêmen ao sol / vala o coração, / yakoana sucção de ligâmen / órgão que vem à pele // dó borda / legue de rojo / oceano és no rôle / habit cru língua tribut / moisto assomo sorvo lóbulo / gema e ventre // mar ame lapa / água coda / fcome! à fundada sulma // de cabelo apanhado ao alto // céufogoágua

*
come-coral // uma língua, sem fundo e sem origem / molha o deserto e varre // no morro Deus grande deus / quando morre um deserto todos choram em / mangueira // não queimarás na duna / a letra é de Seu Deserto, / é de Seu Deserto a letra.

*
E a língua dos Índios Yanomami?
Na voz de Davi Kopenawa

Foram as imagens dos japins ayokora e dos pássaros satiparisi, todos donos dos cantos, que arrancaram minha língua.
Pegaram-na para refazê-la, para torná-la sábia e capaz de proferir palavras belas.
Lavaram-na, lixaram-na e alisaram-na, para poder impregná-la com suas melodias.
Os espíritos das cigarras cobriram-na com penugem branca e desenhos de urucum.
Os espíritos do zangão remoremo moxi lamberam-na para libertá-la aos poucos de suas palavras de fantasma.
E por fim, os espíritos Sábiás e Japins puseram nela as palavras de seus magníficos cantos, deram-lhe a vibração de seu chamado arerererererererererer
                                                      arererererererer
foi assim que os xapiri prepararam minha língua, leve a afinada, e fizeram dela uma língua de árvore de cantos — uma verdadeira língua do espírito. Tornaram-na outra.



 
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