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Margarida Vale de Gato / Diana PDF Imprimir E-Mail

 

«A mí tampoco me gusta, hay otras cosas
más allá de este disparate » , decía Marianne
Moore de la poesía. Sin embargo, lograba
ver mitocondrias y las demás
pequeñas vidas —con la mirada fija
en la diminuta mancha de acuarela
comprimida entre láminas de vidrio
redonda la pupila maravillada
por la anticipación del misterio: saber lo que era.

¿Lo que importa es observar o nombrar ?
Me equivoco en la mirada temo a veces
olvido el árbol donde dejé las llaves
y el cuaderno, después no sé decir
qué sea, especie o parentesco, encuentre aún
sosiego en la lengua arcana de los plátanos
más allá de las placas del jardín botánico.
Por lo tanto funciono mal, soy otra, fuera
de la baraja, turista aquí en medio

de lo que me gusta y me cuesta un poco.
Pero nada está dicho todavía (o lo está) si insisto
dentro de mi pequeña escala en esto yo
es porque no me desconecto y toco y me equivoco
con lo que está a la vista, lengua
cruda clara en cielo salvaje

 

Alice

Corazón-martillo, ataúd-clavos, pasión-fraude.
Shakespeare murió en abril en un viejo calendario
escribió «las alegrías extremas tienen fines extremos »
y labró con pena la muerte del amor romántico.
Desde entonces miles de amantes son casos de estudio
en los centros de investigación de occidente mujeres y hombres
son manoseados por la nuca y se devoran mutuamente
y en el jueves santo —con qué dificultad se reconocen en el flúor
de los faroles, pantallas, salas diversas de oficinas y hoteles—
nos escudriñan, clasificando en la madrugada los silenciosos
azules, que tienen sueños más flacos que salarios.

De ti espero lo que no se te ocurre preguntar, tengo
para mostrarte este mundo lleno de errores.
El mundo está lleno. De muertos que no llegan
a caer. El mundo está lleno de muertos que son vivos
con poca sed. El mundo está lleno de jóvenes
que se escurren en sueños sólidos en dos días resucitan
en el tercero sin redención, sin nadie que les tome
el pulso ni lo que tomaron o les dieron en exceso.
Te pido perdón y comprensión por tantas decepciones
que el garrote de la madurez no mata, descubrirás

un día lo que es terrible de enfrentar. El mundo está lleno
de adultos sin soluciones de continuidad se tambalean
sobre las olas sobre extensas fallas tectónicas, el mundo
está lleno de apáticos convulsos terremotos domésticos
torpedos en casas de reposo pintorescas villas barridas
del mapa donde había plazas piscinas limonadas y matinés
de domingo, había cruceros y esquinas y ojos blancos
vagabundos mirando al cielo. El mundo está lleno de alambradas
grandes migraciones hacia lugares peores inoculados
de mohos que no se erradican mas disparan los índices
de las publicaciones científicas, tú vivirás un día donde tendrás

que adaptarte —donde accidentalmente espero que encuentres
variaciones. El mundo está lleno de rebeldes que son
ambivalentes mansos extendiendo rollos negros
de linóleo donde nada se puede leer; cubren con ellos
minas de las guerras de todos los padres, rechazan pacientes
dotes milenarias de insensatez y deciden que el remedio
es realizar movimientos de danza contra el precario amparo
de que haya un suelo donde caer. Espero de ti justicia, franqueza
y desconocimiento del miedo y resistencia a teorías
de la conspiración si es posible además de la total imaginación
de los demás, la distracción que entrena al turista para tener valor.

Pensamiento mágico, el que sea necesario, hija, espero encuentres
también: que tu existencia es en parte el resultado
de una suma de intensidades; del surgimiento de absolutos
y aflicciones; ajustes de colisiones, juramentos corregidos, injurias
de afectuosos detalles. Espero de ti no menos y mucho
más: el tipo de humor capaz de dar en el blanco y atenuar
el escalofrío de la indiferencia, el olvido que nos inunda
cuando nos deslumbran aspectos sucesivos sin un previo
recuerdo, solicitud, curiosidad, el filtro
amoroso dulce si es posible y casi sin diluir.

 

Versiones del português de Blanca Luz Pulido

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Diana
«Eu cá também não gosto, há mais coisas / além deste desconchavo», dizia Marianne / Moore da poesia. De resto, conseguia / ver mitocôndrias e as demais / pequenas vidas — olho fixo / na miúda mancha de aguarela / comprimida entre vidros de lamela / redonda a pupila em maravilha / prévia ao mistério: saber o que era. // Mais importa observar ou designar? / Eu erro no olhar receio às vezes / esqueço a árvore onde deixei as chaves / e o caderno, depois não sei chamar / o quê, espécie ou parentesco, ache embora / sossego na língua arcana dos plátanos / atrás das placas do jardim botânico. / Portanto sirvo mal, sou outra, fora / do baralho, turista aqui em tanto // do que me dá prazer e algum trabalho. / Mas não está dito ainda (ou está) se insisto / à minha pouca escala nisto eu / é porque não desligo e toco e falho / no material à vista, língua / crua clara em bruto céu

Alice
Coração-martelo, caixão-pregos, paixão-fraude. / Shakespeare morreu em abril num velho calendário / escreveu «as alegrias extremas têm fins extremos» / e lavrou com pena o óbito do amor romântico. / Desde aí montes de amantes são estudos de caso / nos centros de investigação do ocidente mulheres e homens / são manuseados pela nuca devorando-se mutuamente / e às trevas — com que dificuldade se reconhecem no flúor / de faróis, ecrãs, salões vários de escritórios e hotéis / — vasculham-nos, arrumando pela madrugada os silenciosos / azuis, que têm sonhos mais magros que salários. // Espero de ti o que não te ocorre perguntar, tenho / para te apontar este mundo cheio de lapsos. / O mundo está cheio. De mortos que não chegam / a cair. O mundo está cheio de mortos que são vivos / de pouca sede. O mundo está cheio de jovens / que escorregam em sonos sólidos em dois dias ressuscitam / ao terceiro sem redenção, sem ninguém que lhes verifique / o pulso ou o que tomaram ou lhes deram em excesso. / Peço de ti desculpa e compreensão pelas tantas deceções / que o garrote da maturidade não estanca, descobrirás // um dia o que é tremendo de enfrentar. O mundo está cheio / de adultos sem separáveis de soluções cambaleiam / por cima de ondas sobre longas falhas tectónicas, o mundo / está cheio de apáticos convulsos terremotos domésticos / torpedos em casas de repouso pitorescas vilas varridas / do mapa onde havia praças piscinas gasosas e matinés / de domingo, havia cruzamentos e esquinas e olhos brancos / vagabundos voltados ao céu. O mundo está cheio de arames / grandes migrações para lugares piores inoculados / de bolores que não saram mas disparam os índices / das publicações científicas, tu morarás um dia onde terás // de balançar — de que acidentalmente espero encontrarás / cambiantes. O mundo está cheio de revoltos que são / ambivalentes mansos desenrolando rolos negros / de linóleo onde nada se pode ler; cobrem com eles / minas das guerras de todos os pais, rejeitam pacientes / dotes milenares de insensatez e resolvem que lhes resta / traçar movimentos de dança contra o precário amparo / de haver chão onde cair. Espero de ti justiça, franqueza / e desconhecimento do medo e resistência a teorias / da conspiração se possível a par da inteira imaginação / dos outros, a distração que treina o turista para a coragem. // Pensamento mágico quanto baste, filha, espero acharás / coincidentemente: que a tua existência resultou em parte / do encontro de intensidades; ter havido absolutos / e aflições, ajustes de colisões, juras retocadas, vergonhas / readmitidas, correspondências interrompidas, injúrias / de afetuoso pormenor. Espero de ti não menos e tudo / mais: o tipo de humor capaz de acertar e relevar / ao arrepio da indiferença, o esquecimento que nos dá / deslumbrarem-nos aspetos sucessivos sem anterior / recordação, solicitude, curiosidade, o filtro / amoroso doce se possível na mínima diluição.



 
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