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Poemas / Rui Lage PDF Imprimir E-Mail

CM 1166-1

Daban miedo los astutos ciempiés
inmóviles en el estuco del cuarto,
y las arañas estampadas
en los lavabos de esmalte,
la idea de que la brea las movería
transponiendo la brecha que defendía
el castillo aparente de la infancia.

Era entonces que empuñaba zapatilla o escoba:
en ese tiempo daban lucha, retorcían los anillos,
se despegaban de la cal, corrían por la vida,
se metían en fresas y no siempre
las podía pisotear .

Hoy las descubro al dirigir el farol
contra la fachada,
al indagar con la linterna cuartos hace tiempo trancados,
camas donde ya nadie duerme,
donde ya nadie muere.

Hoy les soy agradecido.
Sólo ellas mantienen la casa habitada,
año tras año las mismas siempre,
de una forma indiferenciada
e indiferente.

Por más frágiles las patas numerosas,
por más débil el hilo de la tela,
más perduran que la seda invisible de la memoria,
baba sin gloria que pronto se seca,
tristemente,
y en vez de retener las voces y los rostros
los descose en el paño de la catástrofe.

Por eso mantengo la escoba envainada,
sacudo el cabello, alejo el hombro de las paredes
—las dejo estar.

Porque no hay zapatillas ni escobas
que lleguen a ese cuarto más vasto,
sin paredes o cubierta,
donde cazan los ciempiés del remordimiento
y del olvido
y las arañas destejen rostros balbuceantes.

Rostros que dan miedo, allí inmuebles
en el estuco
como antes.

 

EN 312

Marchan indóciles en las cunetas
a la salida de la misa vespertina:
dan risotadas, súbitos guiños
entran distraídas en el asfalto
pelando naranjas,
comparten higos que la más arisca alcanza
empolvada en un muro derruido.

Son las madres y las abuelas que amé
y se extraviaron en los litorales y en las europas,
profetizadas para doctoras unas,
otras por buena estrella destinadas a las cajas registradoras
o a cambiar pañales a jubilados
en los patios del infierno.

Las veo aún, si cierro los ojos: arañas
alzadas en la brisa, flechas contrarias,
clavadas en el viento.

A Roma las quería guiar, para sepultarlas.
No merecen menos que camino encajado
entre cipreses, vía Apia
quemada por sol igualitario,
donde se queden a la guardia de estatuas mutiladas,
vestidas de heras, con epitafios a flor de piedra
recitados por cigarras.

A Roma las quería guiar, por la vía láctea.

 

Versiones del portugués de Renato Sandoval Bacigalupo
__________
CM 1166-1
Davam medo as astutas centopeias / imóveis no estuque do quarto, / e as aranhas estampadas / nos lavatórios de esmalte, / a ideia de que o breu as moveria / a transpor o fosso que defendia / o castelo aparente da infância. // Era então que empunhava chinelo ou vassoura: / nesse tempo davam luta, estorciam os anéis, / despegavam-se da cal, corriam pela vida, / metiam-se em frestas nem sempre / as conseguia espezinhar. // Hoje descubro-as ao atirar os máximos / contra a fachada, / ao indagar com a lanterna quartos há muito trancados, / camas onde já ninguém dorme, / onde já ninguém morre. // Hoje sou-lhes grato. / Só elas mantêm a casa habitada, / ano após ano as mesmas sempre, / de uma forma indiferenciada / e indiferente. // Por mais frágeis as patas numerosas, / por mais débil o fio da teia, / mais perduram que a seda invisível da memória, / baba inglória que cedo seca, / tristemente, / e em vez de reter as vozes e os rostos / os descose no pano da catástrofe. // Por isso mantenho a vassoura embainhada, / sacudo o cabelo, afasto o ombro das paredes / — deixo-as estar. // Porque não há chinelo ou vassoura / que chegue a esse quarto mais vasto, / sem paredes ou cobertura, / onde caçam as centopeias do remorso / e do esquecimento / e aranhas destecem rostos balbuciantes. // Rostos que dão medo, ali imóveis / no estuque / como dantes.

EN 312
Marcham indóceis nas valetas / à saída da missa vespertina : / dão risadas, súbitas guinadas, / entram desatentas no asfalto / a descascar laranjas, / partilham figos que a mais arisca alcança / empoleirada num muro derruído. // São as mães e as avós das que amei / e se extraviaram nos litorais e nas europas, / fadadas para doutoras umas, / outras por boa estrela destinadas às caixas registadoras / ou a mudar a fralda a reformados / nos quintais do inferno. // Vejo-as ainda, se fecho os olhos: aranhas / levadas na brisa, flechas contrárias, / cravadas no vento. // A Roma as queria guiar, para sepultá-las. / Não merecem menos que estrada encaixada / entre ciprestes, via Ápia / crestada por sol igualitário, / onde fiquem à guarda de estátuas mutiladas, / vestidas de heras, com epitáfios à flor da pedra / recitados por cigarras. // A Roma as queria guiar, pela via láctea.



 
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